Balanço meteorológico - Outubro 2020
Boletim
Balanço meteorológico - Outubro 2020

Elaborado pelos meteorologistas Bruno Kabke Bainy e Ana Maria Heuminski de Ávila

Campinas, 04 de novembro de 2020. 


SÍNTESE 

Observação: Análise feita com base nos dados da estação meteorológica do CEPAGRI, em Barão Geraldo – Campinas, válida para a Região Metropolitana de Campinas. Alguns dados podem apresentar divergências com outras estações meteorológicas na região, sobretudo extremos de temperatura e precipitação, que podem acontecer devido à localização das mesmas e à ocorrência de chuvas muito isoladas e/ou localmente fortes. 

Outubro de 2020 começou sob a intensa onda de calor que atingiu boa parte do país, e o Cepagri registrou, logo na primeira semana do mês, e por três vezes, a quebra de recorde de temperatura máxima de sua série histórica, que iniciou em 1989. O novo recorde, estabelecido no dia 7, é de 39,4ºC. A Tabela 1 mostra o resumo das temperaturas e chuvas no mês, em comparação com a média histórica medida na estação meteorológica do Cepagri. Percebe-se que as temperaturas, sobretudo as máximas, ficaram acima da média climatológica, e que as chuvas representaram apenas 37% (praticamente 1/3) da média para acumulado mensal em outubro. A Figura 1 mostra os valores diários de temperatura mínima e máxima, e de acumulado diário de precipitação. Nota-se que os primeiros 7 dias do mês foram os mais quentes, e que a partir do dia 8 as temperaturas caíram, e mantiveram-se em oscilação dentro de uma faixa de valores mais baixa. Além disso, fica evidente a influência da passagem de frentes fria pela região, a partir das quedas mais acentuadas de temperatura (notadamente, as máximas) e pela ocorrência de chuva de forma concomitante. Com relação às chuvas, o acumulado mensal de outubro de 2020 foi o terceiro pior desde 1990, ficando na frente somente de 1999 (27 mm) e de 2014 (26,4 mm) (vide Figura 2), sendo esse tipicamente um mês de importante contribuição para o balanço anual de chuvas. De janeiro a outubro deste ano, o Cepagri registrou 700,7 mm de chuvas acumuladas, sendo que o esperado para o período, em média, deveria ser de aproximadamente 1040 mm. Isso representa um total de 67,4% do volume esperado.

QUADRO EXPLICATIVO 

As temperaturas acima da média são explicadas pela onda de calor que modulou o tempo não só na RMC, mas em boa parte do Brasil, entre setembro e a primeira semana de outubro. As temperaturas registradas entre os dias 1 e 7 foram as responsáveis por elevar as médias, considerando que as médias calculadas considerando apenas os dias 8 a 31 são quase idênticas ou mesmo um pouco inferiores às médias do período 1990-2019.  As chuvas estiveram associadas, quase em sua totalidade, à passagem de sistemas frontais, tendo apenas uma contribuição de sistemas convectivos de mesoescala (temporais/pancadas de chuva) típicos da estação, que em situações regulares são mais frequentes. Além disso, em algumas passagens de frente fria os volumes de chuva registrados ficaram aquém do previsto.

PROGNÓSTICO METEOROLÓGICO E CLIMÁTICO PARA NOVEMBRO 

Observação: O Cepagri não elabora previsão climática/sazonal, apenas divulga as previsões elaboradas pelos órgãos responsáveis no Brasil (INMET/CPTEC/FUNCEME) e por instituições internacionais, incluindo apenas uma nota explicativa direcionada para a Região Metropolitana de Campinas.

O mês de novembro é caracterizado por temperatura média de 24ºC, e média de precipitação acumulada em torno de 170 mm distribuídos entre aproximadamente 11 dias de chuva.

METEOROLÓGICO – GFS 15 DIAS
O modelo americano GFS aponta para um bom volume de chuvas para a região até o dia 20, em torno de 100 mm, o que pode indicar a atuação da Zona de Convergência do Atlântico (ZCAS) na segunda semana do mês. 

CLIMÁTICO
O modelo climático do Instituto Nacional de Meteorologia aponta para um mês de novembro com chuvas aproximadamente na média, ou com um desvio pequeno, e temperaturas médias em torno dos 22ºC, cerca de 2ºC abaixo da climatologia. Essa anomalia negativa prevista para as temperaturas pode estar associada à atuação da La Niña, que tipicamente deixa os verões mais frios no estado, ou então à ocorrência de ZCAS, proporcionando nebulosidade persistente e chuvas recorrentes, limitando a subida das temperaturas.

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