Outono 2020: Nota Técnica do Cepagri
Nota Técnica
Outono 2020: Nota Técnica do Cepagri

Análise Sazonal
Outono 2020 (20 de março a 19 de junho)

OBS: Análise feita com base nos dados da estação meteorológica do CEPAGRI, em Barão Geraldo – Campinas, válida para a Região Metropolitana de Campinas. Alguns dados podem apresentar divergências com outras estações meteorológicas na região, sobretudo extremos de temperatura e precipitação, que podem acontecer devido à localização das mesmas e à ocorrência de chuvas muito isoladas e/ou localmente fortes. 

O outono de 2020 foi marcado pelo baixo volume de chuvas, com relação às médias históricas. A figura 1 apresenta os registros diários de temperaturas máxima e mínima e precipitação acumulada. Foram poucos os dias (11, no total) em que se registrou precipitação, e menos ainda os dias em que o volume acumulado foi substancial para finalidades agrícolas, por exemplo (chuva em volume igual ou superior a 10 mm). Destaque é dado para o mês de abril, quando não foi registrada precipitação – fato que ainda não havia ocorrido desde que as medições meteorológicas feitas pelo Cepagri se iniciaram, em 1989. Até então, o menor acumulado de chuva em abril havia sido de 4 mm no ano de 2000. A tabela 1 mostra os volumes de chuva registrados nos meses de abril, maio e junho (até o dia 17), e as respectivas médias históricas calculadas a partir dos registros feitos entre os anos de 1990 e 2019. O total de chuvas neste outono, contabilizando com os registros desde 20 de março, foi de 83 mm.
Uma observação importante diz respeito à chuva ocorrida em 9 de junho, acompanhada de trovoadas e ventos fortes: enquanto o Cepagri registrou 7,9 mm, o IAC registrou 43 mm – uma diferença significativa, sendo que aproximadamente 27 mm ocorreram dentro de um intervalo de 20 minutos. Outras cidades na região registraram volumes bastante variáveis, segundo as estações do CIIAGRO.
Em comparação ao outono de 2019, este está terminando com um volume de chuvas bem inferior. Embora maio e junho de 2019 tenham ficado com chuvas abaixo da média (43,4 e 10,2 mm, respectivamente), abril teve chuvas abundantes, totalizando 110,2 mm. Nos totais de chuva para os outonos de 2019 e 2020 temos, respectivamente, 164,9 mm e 83,0 mm. Dessa forma, o total de chuvas registrado no outono de 2019 foi praticamente o dobro do ocorrido no mesmo período em 2020. 

Com relação às temperaturas, a tabela 2 apresenta o resumo mensal para abril, maio e junho. Ao passo de que tanto abril quanto maio ficaram com temperaturas abaixo da média histórica, junho tem sido mais quente até então – e as previsões para a próxima semana não apontam queda nas temperaturas. Embora não haja uma explicação objetiva para esse desvio em abril, em maio um fator decisivo foi a incursão de uma massa de ar frio, intensa e persistente na última semana do mês. Em virtude dessa massa de ar frio, Campinas teve a menor temperatura (7,26ºC em 28 de maio) desde 8 julho de 2019 (quando o termômetro marcou 6,25ºC). Somada a essa massa de ar, maio de 2020 também recebeu outra massa de ar frio na segunda semana, porém menos intensa. A temperatura média do outono de 2020 foi de 21,1ºC, enquanto em 2019 essa média foi de 22,3ºC. 
Prognóstico Sazonal
Inverno 2020 (20 de junho a 22 de setembro)

OBS: O Cepagri não elabora previsão climática/sazonal, apenas divulga as previsões elaboradas pelos órgãos responsáveis no Brasil (INMET/CPTEC/FUNCEME) e por instituições internacionais.


A figura 2 apresenta as anomalias (desvios da média histórica, que podem ser positivos ou negativos) de precipitação e temperatura média para o trimestre julho – agosto – setembro, conforme calculados pelo modelo estatístico do Instituto Nacional de Meteorologia.
¬De acordo com o prognóstico, espera-se que o inverno (trimestre JAS) na RMC seja mais seco e quente do que o normal, com anomalia de precipitação estimada para entre 50 e 100 mm (sendo a média histórica de 134,5 mm para o trimestre), e que a temperatura média fique em torno de 1 a 1,5ºC mais elevada do que a média. As probabilidades atribuídas às previsões de ambas variáveis é de aproximadamente 60%, o que é um valor elevado. 

Essa previsão está em acordo com o prognóstico do International Research Institute for Climate and Society, que aponta para chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média para o mesmo período (embora com probabilidades um pouco menores, em torno dos 40%).

De acordo com o diagnóstico e as estimativas da NOAA (sigla para Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera, dos EUA), a condição dos oceanos com relação ao fenômeno El Nino Oscilação Sul é de neutralidade, devendo se manter assim durante o inverno do hemisfério sul, e com maior probabilidade que siga com sinal neutro até o verão, indicativo de que esse fenômeno não influenciará nas condições meteorológicas no próximo trimestre. Há uma probabilidade de que um eventual episódio de La Nina mais ao final do ano, mas é necessário monitoramento para verificar essa possibilidade. Caso se confirme, o impacto esperado para o verão na RMC é de temperaturas mais baixas em comparação com a média histórica.
 
Responsáveis técnicos: meteorologistas Bruno K. Bainy e Ana Maria H. de Ávila

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